USO DO CATETER IMPLANTÁVEL EM QUIMIOTERAPIA
 
UMA REALIDADE NO HOSPITAL DO SESI HÁ MAIS DE 5 ANOS
 
A quimioterapia venosa é indiscutivelmente a mais utilizada forma de quimioterapia, o que requer cuidados especiais, principalmente quando se administram drogas vesicantes (que provocam irritação severa e necrose local quando infiltradas fora do vaso sangüíneo). Além disso, o caráter prolongado dos tratamentos oncológicos, as infusões contínuas por 24 horas, a fragilidade vascular e cutânea comuns nestes pacientes, a desnutrição, as trombocitopenias e o desgaste progressivo da rede venosa periférica decorrente da própria quimioterapia fazem com que se indique o uso do cateter venoso implantavel de longa permanência. Este procedimento da oncologia moderna já é realizado com sucesso no Hospital do SESI há 5 anos e conversamos agora com o Dr. Guilherme Pitta que é o cirurgião vascular responsável pela implantação destes cateteres.

ON- Como é implantado o cateter?

R: Seu implante é realizado através de uma pequena incisão feita com anestesia local numa vêia superficial, visível e de fácil acesso, como a jugular externa do pescoço ou a cefálica no ombro, por exemplo. O médico isola a veia e com a incisão e passa o cateter (2mm de diâmetro) que é conectado a uma pequena campana(3mm de diâmetro). Essa válvula permite que o tratamento de quimio seja feito com segurança e facilidade para o paciente.

ON- É necessário internação para a colocação do cateter?

R: O paciente não precisa ficar internado para este procedimento. Uma hora após a cirurgia de implante, que dura aproximadamente 40 minutos, o paciente pode retornar para casa. Ele deverá voltar ao hospital após 7 dias para a retirada dos pontos.

ON- Como fica o cateter no corpo do paciente ?

R: Fica em baixo da pele. Colocado de forma sub-cutânea, para que seja fácil de ser visto e puncionado. Geralmente ele fica no tórax abaixo da clavícula.

ON- Qual a durabilidade do cateter?

R: Ele é de longa permanência. Na maioria das vezes nem é retirado do paciente. Algumas pessoas, por questão estética, pedem para retirá-lo ao fim do tratamento, mas aconselho uma maior permanência, só por segurança. E como não atrapalha em nada a rotina eles acabam ficando. Somente em caso de infecção deve-se tirar o cateter, o que é muito raro.

ON- Existe algum cuidado que se precisa ter com o cateter ?

R: O maior cuidado é que após a aplicação de quimio ou outras drogas, precisa ser lavado com solução de Heparina para que o sangue não fique dentro do cateter obstruindo-o. É um procedimento simples, mas importante para a conservação do cateter.

ON- Existe limitação para exercício físico ?

R: Não. Nenhum problema do ponto de vista da mobilidade, banho ou fazer assepsia. O cateter não atrapalha em nada a vida do paciente.

ON- Qual a maior vantagem do cateter ?

R: Sem dúvida é poder poupar as veias superficiais dos membros superiores e inferiores do paciente. Com ele não é preciso multiplas puncões nos braços ou pernas para aplicar a quimio, pois já existe um acesso venoso que permite a realização do tratamento. A droga vai direto para a circulação central onde é diluída e não entra em contato com pequenas veias. E isto é um alívio para o paciente. No Nordeste seu uso é pouco divulgado, mas no Sul do país este procedimento é rotineiro.

ON- Qual a sua média de pacientes para implantação de cateter ?

R: Nós temos colocado uma média de 4 a 5 cateteres por mês. Essa é uma média baixa se levarmos em conta a quantidade de casos de câncer no Estado. O grande problema é que o produto é importado e feito a base de silicone e campanula de metal, o que aumenta o custo do cateter, e a maioria dos paciente são do SUS, que não banca o tratamento.

ON- No Brasil existe cateter de boa qualidade para este procedimento?

R: Já existem setores que estão tentando fabricar o produto. Um é o Instituto Nacional do Câncer do Rio de Janeiro, que já tem modelo. E o outro é a Universidade de Campinas, que também está começando a experimentar um modelo próprio. Se der certo, o custo do material e do implante deve baixar.

Dr. Guilherme Pitta
é Cirurgião Vascular e Radiologista Intervencionista do Hospital do SESI- AL
 
Fonte: N° 01 - março/abril 99